Marcio do Vale, sócio da Ecco Engenharia, inaugura o Pingue Pongue com o Empreendedor

Marcio do Vale, sócio da Ecco Engenharia, inaugura o Pingue Pongue com o Empreendedor

11/02/2015

Parece clichê, mas a realidade de um empreendedor passa sempre por um caminho: o da reinvenção.  Até a consolidação de sua empresa – a ECCO Engenharia Clínica Consultoria Ltda, o empresário Marcio do Vale, 51 anos, viveu momentos de idas, vindas, reviravoltas, erros, frustrações, sucessos e aprendizagem, muita aprendizagem. Nos últimos 22 anos, foram duas passagens pela Incubadora de Empresas da Coppe/UFRJ, trocas societárias, mudanças de rumos empresariais, entrada e saída em novos mercados e a criação e extinção de novos produtos e serviços. Hoje, a ECCO possui um faturamento anual de cerca de R$ 2 milhões, 16 clientes, 20 funcionários, encontrou seu nicho de atuação e já se prepara para mais uma reviravolta. A empresa nos deixa uma valiosa dica: “O segredo de todo o empreendedor é seguir a Lei de Darwin. Vence quem mais se adapta às mudanças, e não o mais forte”, conta o empresário. Na entrevista a seguir, Marcio compartilha conosco seu conhecimento na arte de inovar e empreender. Confira:

 

INCUBADORA: Como surgiu a ideia de criar a ECCO?

MARCIO DO VALE: Eu fiz escola técnica e terminei o curso em Engenharia Eletro-eletrônica . No terceiro período da faculdade, um colega me chamou para trabalhar no SESI (Serviço Social da Indústria) no conserto de equipamento médico. Comecei a perceber quão fácil era para um médico ser manipulado por profissionais de manutenção e comecei a enxergar que dar a credibilidade faria a diferença nesta área. Em 1990 entrei para o mestrado em Engenharia Biomédica na COPPE/UFRJ e comecei a trabalhar no Hospital Pedro Ernesto da UERJ, onde passei a vivenciar o dia a dia de um médico e, consequentemente, o que seria o conceito do engenheiro clínico .

 

INCUBADORA: Então, passar credibilidade e confiança foi o processo inovador que você enxergou como caminho na área médica?

MARCIO DO VALE:  Sim, em parte. Eu vi pessoas queimando equipamentos para justificar um conserto. E um médico não tem conhecimento técnico. Levei para o mercado um serviço, um conceito que não existia na época: ter profissionais que aplicam técnicas para proporcionar melhorias aos pacientes, tomar conta dos equipamentos de forma segura e transmitir total confiança. Montei uma empresa, chamada CTEC, com mais dois sócios e aí começaram os problemas.

 

INCUBADORA: Que problemas?

MARCIO DO VALE:  Os sócios não deram certo. Empreender é ter espírito de dono. Em 1993 entrei para a Incubadora da COPPE/UFRJ. Nasci junto com a Incubadora, que me deu ferramentas essenciais de marketing e finanças. Mas eu estava sozinho nessa empreitada e optei por desistir da empresa. Em 1994, resolvi  chamar meu Pai para ser meu sócio e, em seguida, a ECCO conseguiu seu primeiro cliente. No ano seguinte, fechamos mais um contrato com outro grande grupo hospitalar privado.

 

INCUBADORA: Então, o acerto do sócio foi o segredo do início do sucesso?

MARCIO DO VALE:  Sim, mas também porque colocamos em prática conhecimentos de engenharia clínica com um curso técnico e um software de gestão que foram desenvolvidos dentro da Incubadora. Nesse momento, passamos a formar mão de obra qualificada para atuar. Começamos a crescer e resolvemos entrar em processos licitatórios de hospitais públicos. De 1998 a 2002, atendemos 13 hospitais federais e tínhamos 80 funcionários. Criamos um método único para a melhor gestão do sistema de saúde, com indicadores de qualidade publicados na internet, mas infelizmente, as trocas de comando em contratos públicos independem da qualidade e seriedade do serviço prestado.

 

INCUBADORA:  As trocas de comando nas estruturas públicas fizeram vocês mudarem de rumo novamente?

MARCIO DO VALE:  Sim. E nos reinventamos novamente. Voltei a focar no sistema hospitalar privado. Fomos para São Paulo e começamos também a prestar serviços de gestão na parte predial médica. Chegamos a ter 100 funcionários, fomos para Brasília, Minas, Vitória e Salvador. E, três anos depois, vimos que tínhamos fugido do nosso foco inicial, do software de gerenciamento de manutenção. Neste meio tempo, um dos nossos clientes privados resolveu certificar seus equipamentos em conformidade com a ISO 9000 e fizemos a acreditação de seu maquinário. E como esta era uma tendência nacional, enxerguei aí outra oportunidade de negócio e criamos a MEDCERTO, outra companhia dentro do conceito de credibilidade e confiança mas para calibração de equipamentos médicos, parte da ECCO. Como já “renascemos” com um cliente certo, voltamos para a Incubadora de Empresas da COPPE/UFRJ. Conseguimos financiamentos, voltamos ao prumo e readequamos nosso modelo de negócios. Hoje, estamos mais enxutos, temos softwares patenteados, clientes fixos e já estou pensado novamente em reposicionamento com um novo produto inovador de gestão de tecnologias.

 

INCUBADORA:  Novo reposicionamento?

MARCIO DO VALE:  O segredo de todo o empreendedor é seguir a Lei de Darwin. Vence quem mais se adapta às mudanças e, não o mais forte.

 

INCUBADORA:  Depois destas experiências, quais as principais lições que você apreendeu?

MARCIO DO VALE:  A burocracia, infelizmente, foi um dos entraves para o empreendedorismo na área pública. E nosso conceito é de entrar para otimizar. Era um contra-senso. Outro ponto sensível é o próprio conceito de consultoria. Como o setor privado observa sempre os custos, ele geralmente contrata pessoas diretamente e nos contrata apenas para a implantação do software. Perdi muitos funcionários para meus clientes e concorrentes. E, sim, é sempre preciso estar atento ao movimento do mercado e seus novos entrantes.

 

INCUBADORA:  Você é capaz de listar seus erros e acertos?

MARCIO DO VALE : Como técnico, o lado comercial é mais difícil. Sempre é preciso melhorar na gestão administrativa e em especial os Recursos Humanos. O próprio core-bussiness do negócio da ECCO é delicado, exige confiança e muita seriedade. Mas, ao mesmo tempo, isso é o grande acerto. Sempre há uma tecnologia nova a ser desenvolvida, sempre enxergamos carências onde podemos entrar. Eu nunca pensei em desistir.