Design Thinking – Processos de articulação com dinâmicas de interação

Design Thinking – Processos de articulação com dinâmicas de interação

13/11/2013

A inovação é parte integrante e fundamental dos sistemas econômicos. Com o aumento da complexidade desse grande sistema, torna-se fundamental que os atores econômicos tenham uma perspectiva mais abrangente e holística sobre os processos de inovação. A competição global se fundamenta na inovação e esta, na articulação entre parceiros, sociedade, players, stakeholders e clientes.

A capacidade de inovar exige uma estruturação sistêmica para o seu desenvolvimento. Esse processo pressupõe a articulação de competências, habilidades e atividades que, normalmente, estão dispersas na empresa.

Esse esforço de estruturação, então, compreende o fomento de atores alocados no marketing, operações, comunicação, produção, logística, recursos humanos e finanças.

O design thinking é uma ferramenta para se colocar em prática a colaboração e a co-criação, permitindo a efetiva participação desses atores de distintas formações e perspectivas.

Na dinâmica global do atual cenário, fica cada vez mais evidente a necessidade da diferenciação como um dos principais fatores competitivos. Nesse cenário, a aquisição da informação e os processos de exploração, condução, convergência e tangibilização se caracterizam como essenciais ao sucesso empresarial. A inovação não é uma ação pontual ou o resultado de algumas poucas ações integradas. A inovação é um processo – contínuo, interdisciplinar, dinâmico e flexível – que reúne um conjunto de técnicas e rotinas, integradas e focadas nos objetivos estratégicos da organização.
Os estudos e práticas em torno do tema design thinking, abordam o design com essa perspectiva estratégica, ou seja, como este se coloca na articulação dos vários atores e fatores críticos durante os processos de planejamento e de gestão das empresas.

A condução desses processos, orientados pelo intenso diálogo com os objetivos estratégicos de cada organização, se conforma como uma ferramenta poderosa, principalmente, na solução de problemas, nas tomadas de decisão e no desenvolvimento de projetos de inovação.

O design estratégico, como processo sistêmico e transdisciplinar, tem a característica de associar múltiplos olhares e intenções associadas a um problema. O projeto de soluções, através de rodadas iterativas – críticos e criativos – de observações, questionamentos, ensaios, análises e protótipos, resulta em formas particulares e únicas de conformar e cenarizar realidades e contextos.

Nesse sentido, trata-se de um processo de construção de uma inteligência ampliada focada na pessoa / usuário, que é trabalhada como forma fundamental de colaboração nessa cognição coletiva, através de processos de gestão do conhecimento, cooperação, sinergia e irradiação.

As empresas bem-sucedidas, na economia global, são aquelas que percebem as tendências, investem em desenvolvimento e inovam de forma constante. O design thinking, por trabalhar nas dimensões racionais, emocionais e sistêmicas, tem o efeito multiplicador semelhante à de uma cultura, uma vez que, as práticas e os códigos – de integração, envolvimento, atitude e interesse – são estabelecidos e fortalecidos ao longo dos processos de trabalho em equipes.

Os processos de imersão se conformam em rodadas de interação, que têm como objetivo o levantamento, registro e mapeamento de paisagens de significados e vocabulários simbólicos – estruturados como a seguir:

1. Contextualizar / Definir

  • qual é o problema ou oportunidade?
  • o que o cliente está pedindo?
  • o cliente sabe o que está pedindo?
  • reestruturar o briefing.
  • documentar os achados.
  • quais as perspectivas do cenário?
  • estruturar a equipe de observadores e analistas, por características e competências.

2. Investigar / Pesquisar

  • levantar históricos e documentos sobre o mercado / ambiente.
  • levantar os perfis e dados dos grupos de usuários.
  • quem é o público-alvo?
  • quais as características – atributos, comportamentos e interesses do público-alvo?
  • qual é o nível de escolaridade?
  • quais os estilos de vida típicos e os arquétipos?
  • quais são as aspirações e valores?

3. Desenvolver / Idealizar

  • o que falta para um melhor entendimento do contexto?
  • que tipos de especialistas e/ou pesquisas são necessárias?
  • que métodos e ferramentas serão utilizadas para explorar as informações e refinar as ideias?
  • criar ponte de diálogo com a demanda.
  • agrupar os achados por princípios de solução.
  • que tipos de ensaios precisarão ser desenvolvidos?
  • agrupar os achados em clusters temáticos.

4. Ensaiar / Prototipar

  • quais os testes, ensaios e experimentos que serão feitos?
  • como serão monitorados / registrados?
  • quais são os elementos que o protótipo pretende observar?
  • caracterizar as funcionalidades experimentadas.

5. Filtrar / Selecionar / Hierarquizar

  • filtro de tecnologia.
  • filtro financeiro.
  • filtro estético.
  • filtro socio-cultural.
  • as escolhas devem responder às demandas levantadas.
  • como promover pontos-de-contato entre os princípios de solução e o público-alvo?
  • qual a viabilidade e paupabilidade das soluções?
  • promover interações entre a demanda e a equipe.
  • hierarquizar o processo de escolha da decisão por parâmetros pré-determinados.
  • decidir em consenso, a melhor opção.

6. Implementar / Executar

  • promover a logística e infra-estrutura de produção.
  • acompanhar o desenvolvimento junto com a demanda.
  • promover os últimos ensaios e ajustes.
  • finalizar e acompanhar a entrega / instalação.

7. Acompanhar / Aprender

  • analisar e avaliar o grau de sucesso do que foi entregue.
  • documentar, listar e preparar os ajustes e adaptações necessárias para garantir o sucesso pleno.
  • manter ativa a ponte de diálogo / feedback / prospecção  com a demanda.

Paulo Reis é P.M.Sc. em Inovação e Propriedade Intelectual– com foco em Economia Criativa – pelo INPI (13). D.Sc. em Engenharia Civil – com foco em Tomada de Decisão – pela COPPE/UFRJ (07). M.Sc. em Engenharia de Produção – com foco em Planejamento Estratégico – pela COPPE/UFRJ (94 e Bel. em Design Industrial – com foco em Planejamento de Produtos – pela EBA/UFRJ (87). Além disso, é  agente de inovação e pesquisador da Agência UFRJ de Inovação e pesquisador do LabFuzzy da PEP/COPPE/UFRJ.