Economia Criativa e as Economias do Intangível

Economia Criativa e as Economias do Intangível

31/01/2013

Várias “economias” têm sido apresentadas como sucessoras das economias agrária e industrial, entre elas: as economias da informação, do conhecimento, da cultura, de serviços, da atenção, da experiência, da reputação, em rede e, mais recentemente, a economia criativa.

Analisando seus pressupostos e definições, constatamos que não constituem um mesmo corpo conceitual, mas reconhecendo suas diferenças, podemos apontar pontos de convergência entre elas. Elas tratam o intangível como insumo, produto e valor de troca econômica (muitas vezes, não monetária), marcando uma ruptura com as economias industriais, baseadas na produção de insumos e bens tangíveis.

Para termos uma visão panorâmica destas economias baseadas no imaterial, resumimos a seguir algumas de suas características. Intangível é a informação produzida, armazenada, processada e trocada através das tecnologias de comunicação e informação (TICs). É também intangível o conhecimento que é construído nas interações e transformações ocorridas entre seu estado tácito (implícito, mental) e seu estado codificado (explícito, escrito, digital), no âmbito seja do indivíduo, seja do grupo.

As trocas e construções de conhecimento e informação, que ocorrem através das redes de computadores, são facilitadas pelas redes sociais apoiadas na Internet. Estas trocas potencializam a geração de ativos intangíveis na forma de aprendizagem, reconhecimento, relacionamentos, articulação de interesses e cooperação, mas também, de crises e especulações. Este contexto de conectividade e convergência digital propicia o crescimento dos serviços intensivos em conhecimento, baseados em comunicação e informação, dispersos geograficamente. Nesse ecossistema de relacionamentos e serviços em rede, ganha peso o valor intangível e subjetivo da experiência do usuário e ganha evidência a moeda da reputação, cuja construção é buscada através da solução de dúvidas em fóruns, da publicação de blogs e tweeters, além de variadas participações em redes sociais.

O crescente papel da subjetividade e do simbólico é especialmente relevante nas relações entre quem cria e consome ou frui produtos e criações culturais. E é nesse mundo conectado, com uma crescente oferta de conteúdos multimídia de informação, conhecimento e entretenimento, que o tempo e a atenção do público passam a ter o papel de moedas. Um mundo no qual a produção de conteúdo é acessível a todos os cidadãos socialmente incluídos, onde as fronteiras entre autor e público são cada vez mais difusas e onde surgem novas formas de criação colaborativa (como no crowdsourcing) e de financiamento coletivo (como no crowdfunding), tem levado à emergência da economia da gratuidade, que representa tanto ameaça quanto oportunidade para os criadores de conteúdo, software e conhecimento em geral.

Cada um destes termos é coberto por diferentes autores e abundante material pode ser encontrado na Internet por aqueles interessados em aprofundar-se nas várias facetas destas economias do intangível.

 

Claudio D’Ipolitto é pesquisador no Laboratório de Jogos de Negócios da Incubadora da COPPE/UFRJ